Alê Abreu, diretor de animação indicada ao Oscar, chega a São Luís para compor júri do 40º Festival Guarnicê de Cinema

O premiado diretor de cinema e animador Alê Abreu chegou a São Luís na última terça-feira (6) para compartilhar experiências com o público e compor o júri oficial da 40ª edição do Festival Guarnicê de Cinema. Criador de obras como “Garoto Cósmico” e o sucesso internacional “O Menino e o Mundo” – filme brasileiro indicado ao Oscar de melhor animação em 2016 –, Alê contou relatos pessoais e profissionais da trajetória artística de quase 30 anos durante o workshop de Animação do festival, realizado na Escola de Cinema do Maranhão, nesta quarta-feira, 07.

Nesta sexta-feira, 08, às 15h, Alê participa de bate-papo após a exibição do seu filme “O Menino e o Mundo”.

Durante o workshop, Alê Abreu comentou sobre a carreira, experiências em premiações no Brasil e no mundo, inspirações artísticas, revelou detalhes da produção de “O Menino e o Mundo”, de trabalhos passados e de outros que estão por vir. Segundo ele, o processo de criação de suas obras é algo que transcorre naturalmente e, por conta própria, conduz os caminhos que personagens e histórias vão adquirindo. “O artista é um meio para que algum tipo de graça aconteça, para que chegue alguma voz, algo inominado, que a gente não sabe muito bem explicar, mas que movimenta para realizar coisas, mexendo na matéria” – refletiu o animador sobre a inspiração para as tramas.

O encontro foi celebrado pelos participantes. Segundo o animador maranhense Beto Nicácio, foi uma oportunidade de estar em contato mais próximo com a área, ainda pouco explorada no Maranhão. “O workshop é muito positivo, considerando que já é uma linguagem muito difundida na atualidade. São muitas produções de animação e o Maranhão não pode ficar de fora”, disse.

Os estudantes de cinema Taissa Monteiro e Jerry Quadros concordam e destacam outro ponto: a humildade do artista. “É muito legal quando chega um cineasta renomado que tem essa humildade de vir conversar. Isso é o que faz o diferencial para nós – avaliou Taissa. Complementando a colega de turma, Jerry finaliza: “Dentro do cinema, o problema do ego tem uma certa frequência, e ele transpareceu não ser nada egocêntrico”, observou.

Sobre essa questão, Alê comenta: “O diretor não existe. O diretor é alguém que eu invento para fazer o filme no meu lugar. Talvez essa seja uma forma de driblar o ego, porque esse ego não pode estar dirigindo, senão ele começa a querer mandar demais e coíbe esse inominado. Se a gente transforma tudo em uma brincadeira, na qual eu deixo o ego de lado, a gente cria uma pessoa para dirigir no nosso lugar. Talvez seja um jogo interessante”.

O diretor, que também é jurado oficial dos filmes que concorrem ao Troféu Guarnicê, está na capital maranhense pela primeira vez e se diz feliz de participar do festival: “É a primeira vez que estou no Guarnicê pessoalmente, embora diversos filmes que eu fiz já tenham sido exibidos aqui. Acompanho o festival desde sempre. Quarenta anos é um marco muito importante. Eu estou muito feliz de estar aqui, destacou”.